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Daily Echo

Breaking habits

26
Mar18

Olhas para o espelho. O que vês?

Monica Nobre
Trouxe de volta o tema do armário cápsula e o seu minimalismo. Mas o que trouxe isso? Algumas pessoas já me perguntaram porquê ou como, mas a pergunta que me fizeram que me fez pensar mais foi feita com base na personalidade. Com base no que aprendes sobre ti, quando reparas e reformulas o teu guarda roupa, acabas por gostar desse teu eu? Acabas por mudar? Reconheces-te? 
 
Vou deixar essa questão a pairar enquanto vos falo de outras coisas.
 
Tive uma conversa comigo - que é sempre bom - e achei por bem, não só mudar algumas coisas pessoalmente, como alimentação e organização, mas decidi reeducar-me. 
Como assim? Andas mal educada?? Não...a sociedade anda e eu não quero seguir o mesmo caminho. E acho que preciso de fazer algumas coisas para me sentir bem e dar valor ao que acredito. Vou dar-vos alguns exemplos:
 
 

Tecnologias e afins

 

Decidimos cá em casa, não haver tecnologia à mesa. Não há telemovel nem outros gadgets distrativos (nem tv) enquanto comemos. É que nem passam a arcada da sala de jantar. Parece parvo? Quando parece silêncio demais, falamos. Ou aproveitamos o silêncio mesmo. E a comida. 
Abolimos as tecnologias da cama. A não ser quando alguém está doente, e como não temos tv no quarto, levamos um PC e vê-se algo na cama. Mas é algo raro. Ambos concordamos e achamos que era o melhor. Passamos mais tempo a dar valor a nós. 
No carro, não atendemos chamadas a conduzir, a não ser com phones. Arranjei uns com microfone e quando me esqueço de por, nem atendo. É uma emergência? Se não conseguir encostar sem empatar, quando chegar ao destino, logo atendo. 
 

Desperdício Zero

 

Já devem ter ouvido falar desta maravilha de aproveitar e reutilizar para evitar desperdícios. Seja do que for. 
Andamos mais conscientes e para além da reciclagem, que já fazemos aos anos, decidimos que quando comemos fora escolhemos restaurantes que tenham pratos e talheres a sério, não aceitamos palhinhas e se possível, não aceitamos copo de plástico. 
Usamos guardanapos de pano em casa. Substituimos as nossas garrafas por garrafas de metal e reutilizamos comida que dantes diziamos "o trabalho que dá, vai para o lixo".
 

Há mais pessoas no mundo

 

Moramos numa praceta sem saída. Conhecemo-nos todos e por casa existem 1 ou 2 carros. Não existem lugar marcados mas existe espaço para todos se estivermos bem "arrumados". Posso chegar à sexta feira à noite e não ter lugar e deixo o carro de qualquer maneira. Mas no sábado de manhã, a primeira coisa é ver se há espaço para arrumar o popó como deve ser. 
 
É avisar o vizinho que restos da poda das árvores não vão para o lixo normal. O senhor tem de ligar para a secção do ambiente e marcar com eles. Tem de dar o nome e nif e morada. Ajudamos a levar de volta os arvoredos para o quintal deles. Porra, reeducamos os nossos vizinhos, e vivemos todos melhor no nosso ciclo de casas.
 
Há um problema na luz da rua? Já ligou vizinho? Então já ligo. A árvore do senhor Manuel está no meu quintal. O homem tem quase 80 anos. Posso cortar quando me der jeito? Então está bem. Se entretanto quiser ajudar diga. 
 
E vivemos em sociedade. 
 

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Não acham há pessoas que precisam de ser reeducadas? Eu acho. Também preciso em certas coisas e estou a tentar melhorar noutras. Se virem alguém a fazer algo que podia ser melhor, alertem! Vivemos todos aqui.
 
Voltando à questão que ficou a pairar... Com base, não só do que aprendes sobre ti quando olhas para o teu guarda roupa, mas quando olhas para as tuas atitudes, reconheces-te? Acabas por mudar? 
 
As boas ações para nós e para o mundo devia ser rotina. 
 
28
Dez17

Eu caí da lua

Monica Nobre

Apercebi-me que caí da lua. Caí da lua e não consigo lá voltar. Fui descuidada e pouco responsável, não percebi os sinais de fumo e fui à descoberta porque o que queria era mais intenso do que a verdade. Fui e caí e nem apercebi que já tinha o que queria; mas aprendi da pior ou melhor maneira possível: caindo.

Olhei para a lua e pensei o que me faz escolher as pessoas. Escolher com quem me dou, com quem falo, quem fica e quem vai. Pensei e apercebi-me que gosto de pessoas orgulhosas. Orgulhosas delas próprias, do que fazem, que fazem as coisas porque lhes preenche apesar de todo o esforço. E pensei nas pessoas que deixei ir. Nas que não tinham orgulho ou não mostraram. Orgulho em mim, orgulho delas, orgulho da vida.

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 E nisto o tempo não volta atrás, não é possível subir de volta à lua e o melhor é contornar caminho. Posso não conseguir voltar para a lua mas posso estar mais perto dela. 

Os objetivos são como a lua: mesmo quando acontece algo que nos desvia para tão longe, não é preciso desistir. É preciso dar a volta e tentar o caminho mais longo, mas o que nos leva lá. Demore o tempo que demorar.

 

Não acho que precise/queira/acredite em resoluções de ano novo. Os objetivos não mudam com a virada do ano, não mudam depois da 12ª badalada, não mudam depois de comer 12 passas de rajada ou depois de aterrar no chão com o pé direito. 

Não deviamos esperar pelo natal para estar com a família, pelo exame para estudar ou pelo aniversário para dar um presente. 

 

Não vamos esperar. Vamos subir a um sitio alto? 

18
Out17

Fogos, vidas e pipocas

Monica Nobre

É provável que o meu pensamento não vá de encontro a outras opiniões. Mas isso é que distingue as pessoas. 

Na sequência destes eventos catastróficos, não posso deixar de estar revoltada... com o estado: que tem o poder de controlar e prevenir de forma mais eficaz (pode não haver um método 100% eficaz mas sem uma experiência de tentativas nunca saberemos). Prevenção. Falam-nos sempre de prevenção e não existe.

Com o MDN e o MAI que nos fazem contratos de 6 anos (aos militares) formam-nos, incluindo para situações como estas que temos vivido e depois descartam-nos como fósforos queimados (desculpem o meu humor!). E nós, militares na disponibilidade, que temos capacidades, formação e estamos qualificados para tal, termos de ficar no sofá a ver as pessoas a morrer e o país a arder. 

Estou revoltada com as pessoas que elas próprias não fazem prevenção (existe culpa no comodismo e no pensamento português "isto nunca me vai acontecer"), não exigem formação, e em vez de manifestações poderíam fazer ensinamentos de SBV (suporte básico de vida), combate a incêndios, como agir em caso de acidente (qualquer tipo de acidente), mas não o fazem. 

Sendo militar nesta situação, só sinto vergonha. Vergonha de sermos descartados das nossas missões e das nossas qualificações. Eu fui por amor à camisola e trataram a minha camisola como um emprego que não há renovação de contrato. 

O militar é uma coisa que existe em mim. Faz parte de mim. E não deixarem exercer deixa-me tão revoltada como uma criança presa a uma cadeira a quem não deixam brincar. Ou pior. Não consigo descrever.

Neste momento, estou apenas a louvar os hospitais por acolherem os feridos, as pessoas que se ajudaram mutuamente e as iniciativas de plantar árvores. Espero que depois desta batalha as pessoas percebam que estamos todos a trabalhar para o mesmo: viver.

Deixo aqui o relatório de análise e apuramento dos factos relativos aos incêndios que ocorreram em Pedrogão Grande e outras áreas, entre 17 e 24 de junho. Sei que é imenso mas se lerem o sumário executivo já compreendem o que se trata. Concordo a 100% com isto.

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