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Daily Echo

a minimal boost. Breaking habits!

27.09.18

Amor de bolso

Monica
Culpo-te por quase tudo o que acontece e não consigo superar. Porque costas de avô são largas. Culpo-te por uma data de amarguras que ficaram congeladas no tempo mas que deram frutos a outros acontecimentos. Culpo-te por não me contares quem te partiu o coração, quem te fez isolar do mundo. Culpo-te porque não me disseste quem estava no teu bolso e volta e meia te fazia regressar, deixando muitos dias de pleno verão em dias cinzentos e adormecidos.  Preparaste-me para tudo: para (...)
01.08.18

A nossa casa

Monica
À medida que me situo e tento perceber onde estou, olho em volta e noto que existem coisas familiares: os azulejos azuis, a cisterna, a forma da casa. Mas está tudo diferente.  Existe um portão e uma vedação à volta. Olho para as minhas mãos e parece que fui eu que as pus... tento perceber o que sinto à medida que estou a descobrir aquele local e sinto-me em casa. Apesar de tudo me parecer estranho é tudo tão familiar como se tivesse assistido a todas as mudanças que aquela (...)
03.07.18

Calado, certo e seguro

Monica
Isto talvez seja uma carta de amor. Ou talvez não. Não sei muito bem o que define uma carta de amor. Não me lembro quando te vi a primeira vez. Não me lembro das nossas primeiras palavras, de quando me fizeste sorrir pela primeira vez, mas lembro-me quando me apercebi que eras uma presença necessária na minha vida. Lembro-me apenas que me sentia bem com a tua presença. Faço alguma comparação entre ti e o primeiro homem da minha vida, o meu avô - ambos calados, ambos certos e (...)
24.05.18

Tartaruga, o melhor animal à face da Terra

Monica
Nunca fui miuda de um amor sólido. Amor daqueles que é sempre fugaz ou sempre carente. Sou imprevisivel como o vento, ora sopra mais forte ora acalma como uma brisa. E assim vivo os amores. Alguns aguentaram, outros quebraram. Outros quebrei eu.  Ninguém esquece aquele amor. Aquele amor que nos ensina o que queremos ser enquanto pessoa, aquele amor que nos ensina como gostamos de nós - sem medos de fugas e de calar. Vivi um amor intenso. Amor esse que me mostrou que por vezes temos (...)
23.05.18

Eu vi, vim e venci

Monica
Quando consegues o que queres... ainda queres o que conseguiste? Veni, vidi, vici...Eu vi, vim e venci. Esta frase está tatuada acima do meu joelho esquerdo.Joelho esse que sofreu lesões e não me deixou continuar a ser atleta de alta competição. Joelho esse que se magoou de novo, foi abaixo, que me impedia muitas vezes de correr mas aguentou-se para conseguir completar as caminhadas, a marcor, a semana de campo, as pistas de obstáculos. Joelho este que bastou estar quieta a dar (...)
22.04.18

Vi toda a gente mas não te vi

Monica
Às vezes ainda te vejo. Ainda te vejo e sinto que te falhei redondamente. Que fugi de quem me fazia mal porque sabia que um dia ia fazer algo de mal e não queria que sofresses. Fugi porque queria o que os outros tinham e achava que era a unica oportunidade de ter: alguém a quem chamar de pai. Dizer que estava com o meu pai. Achei que se fosse, que ficaria bem, porque todas as tristezas que tinha iriam passar.  Não sabia que não ias ficar bem. Não sabia que o que eras para mim e o (...)
28.12.17

Eu caí da lua

Monica
Apercebi-me que caí da lua. Caí da lua e não consigo lá voltar. Fui descuidada e pouco responsável, não percebi os sinais de fumo e fui à descoberta porque o que queria era mais intenso do que a verdade. Fui e caí e nem apercebi que já tinha o que queria; mas aprendi da pior ou melhor maneira possível: caindo.Olhei para a lua e pensei o que me faz escolher as pessoas. Escolher com quem me dou, com quem falo, quem fica e quem vai. Pensei e apercebi-me que gosto de pessoas (...)
09.12.17

Mágoas enterradas e regadas com vinho

Monica
Hoje podemos chorar algumas mágoas antigas que ainda estão presas na nossa garganta.   Não digo que tive uma vida dificil mas digo que tive uma vida diferente do resto das pessoas que conheço. Há tanta coisa que quero deitar para fora e nem sei por em palavras. Mágoas?  Decidi andar para a frente. Deixei de chorar pelas mágoas dos outros e comecei a lutar pelos meus, porque quem está vivo e presente é que interessa. Há um par de anos deixei de dar significado ao natal. (...)
26.09.17

Quando temos tudo, temos tudo a perder.

Monica
Depois do portão de ferro havia um quintal. Com chão de pedras brancas irregulares e uma escada. Sei que o quintal era grande o suficiente para fugir de ti e tu fingires que não me conseguias apanhar. Eu sabia a bondade que havia em ti. Desde que nasci que cuidavas de mim e nunca precisaste de dizer nada e eu precisei que me dissesses. Eu sei que eras amigo do outro rapaz que vivia conosco. Sei que a mãe dividiu a casa com a amiga porque não dava para pagar a tua escola e a minha.  L (...)
14.09.17

Livros e finais felizes

Monica
- ‘tás fazendo? - A ver as estrelas. Porqué’que o pai e a mãe nã ficam? - Nã sei. Eles é que sabem. Mas se ficassem ‘távas agora a ver as estrelas? - Calhando. Nã sei. Nunca foi preciso muito para um homem de 74 anos, de olhos azuis e sozinho rasgado, dar uma vida certa a uma criança de 5 anos. A cumplicidade que existia, as respostas secas, rápidas e certeiras que ele dava, fizeram dessa criança, uma mulher com certezas e liberdade em todos os aspetos. Eu gostava da (...)