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Daily Echo

a minimal boost. Breaking habits!

Sex | 07.12.18

Promessas e promessas

Monica
Podia inventar uma carrada de desculpas, mas não seriam verdade. 

A verdade é que a minha vida deu uma volta de 180 graus, direitinhos. O mundo caiu e voltou a erguer-se da maneira que eu queria. É incrível que para nos acontecerem as coisas que desejamos, o mundo tenha de ruir. As paredes vêm abaixo. Chove dias a fio. Não há frio que se aguente. Não há coragem que não quebre. E depois da tempestade vem a bonança. Apesar de odiar o tão cliché os ditados são: servem de justificação para qualquer coisa, dizem tudo e não dizem nada.

 

Mas pronto. O mundo está agora melhor. O sol veio para ficar e aumentaram as histórias aqui. 

 

Quando cheguei a Lisboa, no ano 2000, não sabia que iria ser o fim do mundo. Ia preparada para acreditar que casa pode ser em qualquer lado. Ia iludida que ia ser uma coisa boa e que coisas boas só podem dar continuar a outras ainda melhores.

Mas descobri que não era bem assim. Fui ao fundo e desejei sair, voltar para o ombro do meu velho pescador. Não sabia que para as coisas boas chegarem temos de passar pelo inferno. Sempre revirei os olhos cada vez que alguém não sabe o que dizer e saca de um provérbio. Quando me apercebi que as coisas eram apenas um mar agitado interminável alguém me disse "depois da tempestade vem a bonança", mas nunca soube quando acabava a tempestade e a minha aversão a provérbios fez-me crer que aquilo seria um mau presságio.

Não sabia que ia retirar a palavra sonho do meu vocabulário e substituir por objetivo. Não sabia que ia ficar presa a esta cidade durante 18 anos. Não sabia que, no meio deste tempo, iria ganhar esperança, coragem, um amor para a vida. Não sabia que ia perder o meu melhor amigo, o meu pescador de horas vagas, o meu companheiro, a minha alma velha. Não sabia que ia descobrir que os meus limites são tão altos. E que também iria conhecer o fundo do meu poço. E no meio disto, que iria descobrir-me.

 

Podia dar deixar aqui desculpas porque andei desaparecida. Podia, mas não vou fazê-lo. Porque descobri que gosto de escrever. Escrevo por gosto. E andei a colecionar algumas histórias durante este tempo. 

 

Porque redescobri o amor da minha vida, fiz as pazes com certas coisas e estou a caminhar para fazer com outras. 

Porque vem aí um novo ano e 18 anos nesta cidade, já chega. Por entre montes de controvérsias e da pior maneira, tenho o meu desejo realizado: voltar à minha terra. 

 

E estas estórias, irão sair.