Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Daily Echo

a minimal boost. Breaking habits!

Sex | 29.06.18

Parar e respirar

Monica
Não sei quando comecei a comprometer-me com coisas. Com promessas próprias, com a minha palavra e pensamentos e não sei quando terminar aquilo que definia para mim, se tornou tão importante. 
Sempre achei que podia ser mais. Mais do que os ascendentes, ter mais do que eles poderiam oferecer, ser mais do que eles alguma vez foram, fazer a diferença, preencher vazios incompreensíveis, levantar-me e fazer por mim. Não me lembro quando me tornei tão obcecada em ser melhor. Em ser maior. Em desafiar-me e ter orgulho em mim. Talvez porque nunca tive as mesmas oportunidades mas conseguia estar lá na mesma. Talvez porque a realização sempre me satisfez e sempre foi um sentimento que foi pedindo mais e mais. Não sei quando aconteceu, pensar que desistir não era para mim, que podia passar por stress e terminar as coisas, que podia carregar o mundo nos ombros mas que no final iria estar onde queria. Não sei quem me pôs na cabeça que não dá para respirar, que não faz mal parar e olhar em volta. Não sei onde fui buscar a ideia que só posso sair debaixo de água quando a tarefa chega ao fim, quando objetivo é cumprido e realizado, quando fizer check na lista. 
 
Aprendi sozinha que devia ter fiel a mim mesma, às minhas promessas, aprendi sozinha que devia sempre apontar para o degrau a seguir, aprendi sozinha que conseguia ser mais, que desafiar-me era sempre uma coisa boa, aprendi sozinha que gostava de estar no topo, que era uma sensação que queria na minha vida. 
 
Mas entretanto olhei e vi-me debaixo de água e decidi não subir enquanto não fizesse o que estava lá para fazer, decidi aguentar a pressão, desafiar-me ainda mais e aprendi que não consigo aguentar debaixo de água sem respirar. 
 
Vi-me aflita sem ar, senti a água na minha cara, a pressão a pressionar o meu corpo, vi o cansaço a tomar conta de mim, até que alguém me esticou a mão e disse "respira". E respirei.
 
Senti de novo o ar nos pulmões. Soube que não faz mal aceitar um desafio, soube que não faz mal querer estar no patamar acima mas soube, principalmente, que se precisar de descansar num degrau para subir ao próximo, que não há problema, que não estou a falhar-me, a falhar com os outros. 
 
Aprendi que parar para recuperar o fôlego e continuar apenas quando estiver preparada não é desistir. 
 
Aprendi que tenho de parar antes de bater no fundo. Que por vezes existe uma cadeira a meio para descansar e posso retomar quando quiser. Aprendi o que é estar à beira de uma depressão e perceber quando é altura de pedir ajuda. Aprendi, principalmente, a pedir ajuda. E isso não é dar parte fraca. Aprendi mais limites meus e aprendi que parar não é desistir.
 

 

4 comentários

Comentar post