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Daily Echo

a minimal boost. Breaking habits!

Sab | 09.12.17

Mágoas enterradas e regadas com vinho

Monica

Hoje podemos chorar algumas mágoas antigas que ainda estão presas na nossa garganta.

 

Não digo que tive uma vida dificil mas digo que tive uma vida diferente do resto das pessoas que conheço. Há tanta coisa que quero deitar para fora e nem sei por em palavras. Mágoas? 

Decidi andar para a frente. Deixei de chorar pelas mágoas dos outros e comecei a lutar pelos meus, porque quem está vivo e presente é que interessa.


Há um par de anos deixei de dar significado ao natal. Porque, para mim, natal era união de uma familia e alegria e não apenas uma festa em que temos de forçar um sorriso e conviver com uma indigestão porque a falsidade e uma perna de peru não se misturam. Para mim o natal deixou de ser, há alguns anos, natal.
Há algum tempo decidi que, apesar de ser criada como católica, não acreditava nem me identificava, então decidi que não queria nada com essa religião. Por alguns motivos, que para mim não faziam sentido, não festejo nenhum feriado católico nem de outra religião. 

Esses costumes já não eram muito "normais" quando estava com o meu avô, tanto que, só porque a minha avó me obrigou, batizei-me aos 9 anos.


Há dois anos, cá por casa, deixamos de festejar de todo, essas festividades. Fazemos o jantar com os avós dele como fazemos todas as semanas mas nada mais. E porque "cai~lhes mal" se não formos. "Porque é natal meninos, vá lá!". Percebo as pessoas que gostem do natal mas para mim, ao crescer, deixou de fazer sentido. Cá por casa, amamo-nos sempre e damos presentes quando nos apetece (ainda cumprimos aniversários).

O dia dos namorados não nos interessa mas comemoramos o dia em que oficialmente ficamos juntos com um passeio ou caminhada.
Comemos carne na Páscoa e não compramos amêndoas para ninguém.
Tentamos fugir de multidões em feriados que sabemos que as pessoas estão lá todas. 
No dia de todos os santos não vamos ao cemitério. Mas vamos jantar com os avós ainda vivos, todas as semanas.
No dia de natal começamos a tradição de irmos ao cinema. 
No dia de ano novo, escolhemos uma maratona de filmes, preparamos um jantar com vários petiscos, vestimos aquele fato-de-treino-que-parece-pijama e entramos noite fora com uma garrafa de vinho ao nosso lado. 
Uma vez por ano, arranjo bilhetes para um concerto e faço a minha tia, que está a 300km de mim, sair da terra e passamos um dia juntas.
Estas são as nossas tradições. Sem passas, sem cuecas azuis ou saltinhos das cadeiras. Não desejamos, tentamos fazer e fazemos logo, seja qual for o feriado que esteja a ser comemorado na altura.

Afastei as pessoas que me faziam chorar pelas mágoas delas. Há quem diga que sou fria. Eu digo que quero parar de sofrer. Eu digo que ninguém sabe o que foi, que estou cansada de falar disso, de pensar nisso. Mas penso e choro. Não guardo mágoa do que fizeram nem quero um pedido de desculpas mas gostava que tudo o que veio depois de me fazerem mal, tivesse sido correto. E não foi. 

Por isso, não acredito que existe um Deus, seja ele qual for. Não acredito quando alguém diz "não consigo mais". Posso dizer que tudo o que quis, consegui - fosse emprego, desporto, casa... onde eu queria estar eu estive. - Não acredito que as pessoas mudem. Acredito que as pessoas precisam de algo em que acreditar e quando precisam de mudar algo, que se adaptam, mas as pessoas não mudam. 

Gostava também de acreditar num mundo paralelo. Não que a minha vida tivesse sido diferente, porque não consigo imaginar-me a ter outra vida, mas que a vida de outros que gosto, tivesse sido melhor. 

Acredito que as pessoas conseguem fazer um esforço, mas precisam de uma razão, e isso entristece-me.

 

Mas esta é apenas mais uma mudança. Vamos enterrar o passado e esquecer as pessoas que nos fazem chorar pelas mágoas delas.

A quem festeja, um feliz natal. 
O meu desejo para vocês é que reflitam sobre quem realmente é importante na vossa vida e aproveitem essas pessoas. Usem e abusem da alegria. Os bens materiais ocupam espaço e criam pó.