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Daily Echo

a minimal boost. Breaking habits!

Qua | 28.02.18

De volta às origens

Monica

Já devem ter reparado que ultimamente falo muito de minimalismo. E eu também reparei e gostava de expor aqui alguns pontos, porque vejo muita gente a falar sobre isso, que realmente não aplica, e outras pessoas que gostam mas não percebem porquê. Então decidi, escrever um pouco mais sobre o meu motivo. 

 

Eu fui criada no minimalismo (sabia lá que isto tinha nome). Vivi com o meu avô (podem ver alguns episódios na tag - estórias), que foi pescador e quando a idade começou a pesar demais para ir para o mar, dedicou-se à agricultura. O meu avô era uma pessoa muito simples, muito à terra, não havia 8 nem 80, havia o que ele acreditava e eu fui criada nisso. Nunca tivemos grandes luxos, como passei a ter quando me mudei para a cidade. A casa foi construida pelo meu avô e à medida que tinhamos necessidades, a casa foi sendo alterada. A água vinha de um furo que tinha uma bomba para a puxar e posteriormente, o meu avô fez uma cisterna, que acumulava a água da chuva que usavamos para cozinhar e, quando o verão se tornava insuportável, para a rega. Compravamos pão, carne e peixe e tudo o resto vinha das árvores e da terra. Compravamos roupa quando a antiga se rasgava ou estravaga de outra maneira, e andar a pé ou de bicicleta era o transporte de eleição. A vida era simples. Tinhamos 1 rádio e 1 televisão. E tenho realmente saudades desses tempos. 

Quando mudei para a Lisboa, com 12 anos, senti-me deslocada. Não era aquele o meu mundo. E fiquei fascinada com tudo o que o mundo tinha para oferecer em termos de excessos. Tanta opção de roupa, de brinquedos, de coisas para fazer, o hipermercado era um mundo (em Lagos apenas havia pequenos supermercados, talho, padaria e praça(peixe, frutas e legumes), mas tudo separado)...

Eu nunca fui miuda de gastar em muita coisa mas às vezes sentia que se não tivesse certas coisas e nem tivesse um certo estilo que não me conseguia integrar. E essa foi a pior parte da minha vida. 

 

Quando entrei para a tropa, voltei ao meu estado "natural". As coisas eram simples, utilizava-se qualquer coisa para desenrascar...mas nessa altura eu já era dada a excessos. Achava que ter certas coisas me fazia mais "cool". E as coisas não são bem assim. Com algumas mudanças de casa, comecei a perceber que as coisas que iam ficando para trás, materiais, que não faziam assim tanta falta e voltei com os meus pés à terra. 

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Ultimamente, tenho sentido mais isso. Talvez por querer ter um estilo de vida menos preso às coisas e me fartar de dar voltas à casa e ver sempre as mesmas coisas, no mesmo lugar sem que tenham sido utilizadas há meses... 

 

O armário cápsula veio nesse seguimento. Desfazer-me de coisas que não uso e nunca mais vou usar, que só me confundem na hora de escolher a roupa e só ocupa espaço. Então decidi desprender-me de coisas e começar por casa. 

Comecei pelo armário e já comecei a pensar o que fazer aos livros e assim. Gostava de ficar com eles? Sim. Mas faz realmente falta? Não. Para efeitar? Sim. Vou lê-los outra vez? Talvez não. E estas são algumas questões que penso quando penso em desfazer de algo. 

 

No caso da roupa, decidi aprofundar a coisa. Nunca soube muito bem que "estilo" tinha. E com esta arrumação acabei por encontrar um padrão, nada especifico mas ainda assim, como sempre segui o que me diziam, apesar de não me sentir integrada, decidi fotografar todas as minhas roupas e fazer outfits. Apesar do meu armário ter sido reduzido, por vezes, não faço ideia do que fica bem com quê. E decidi criar algo para me ajudar nessa tarefa e visualizar.

 

Penso que este blog está a seguir essa direção, mas tudo isto é um caminho. O daily echo é isso mesmo: ajustar as nossas vidas para chegar à vida plena que queremos ter. 

 

Então chamamos-lhe minimalismo, podiamos chamar "voltar às origens", podiamos chamar outra coisa. Eu gosto de me sentir bem com o que tenho e é nessa direção que caminho.

Se estás nesse caminho também, conta-me a tua história.