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Daily Echo

a minimal boost. Breaking habits!

Sab | 18.08.18

De minimalista nómada a zero waste de casa fixa

Monica

Muitas coisas tiveram de mudar para que a vida seguisse o rumo que queria que seguisse e uma delas foi com certeza, a minha visão das coisas e como me sentia com elas.

Há pouco tempo, numa conversa sobre idades e aniversários, disseram-me o seguinte "vais fazer 30? aos 30 tudo é diferente. Começas a ter uma perspetiva diferente da vida e começas a ligar menos ao que a sociedade impõe" - Ao ouvir isto, a única coisa que me passou pela cabeça foi "bem, já tenho 30 desde que tinha 16 anos".

Não tive uma infância "normal" e acho que isso sempre me fez ver as coisas de maneira diferente. Sempre me rodeei de pessoas que pensavam diferente da sociedade - mesmo que diferente da minha opinião - e, apesar de algumas atitudes me atingirem, principalmente quando me tentava integrar, depois de perceber que não me integrava, decidi seguir o meu caminho e parar de não ser eu só para agradar as pessoas.

Prioritizei-me desde muito cedo: aos 16 já trabalhava porque o meu pai não me queria pagar os livros para continuar a estudar e a partir daí comecei a governar a minha vida e as minhas opiniões.

Nunca me retraí a dar a minha opinião mas tenho a noção que se ninguém ma pedir que pode não ser aceite. Não mudo de opinião se achar que não está certo e tento perceber o outro lado, ou peço para que expliquem e tento que faça sentido para mim ou que digam em voz alta nem que seja para se ouvirem. Sempre tive a mente inquieta, ocupada e muitas vezes em caminhos que mais ninguém queria seguir.

Tenho o bicho da mudança, de ir com o vento. De nascer uma ideia, planear e seguir. Talvez 2 anos depois volte onde estava mas se não quero estar ali no momento, não estou, sigo a minha vontade e deixo-me levar. O que o meu pai chamava de rebeldia e ideias parvas, eu chamava-lhe seguir o meu coração e sempre o segui, ainda que por vezes ele andasse iludido com fantasias. 

Hoje, o coração tem a vontade e o cérebro faz o planeamento, trabalham em conjunto e a sigo a felicidade.

 

Sempre tive pouca coisa. Pouca coisa de objetos. Mudei de casa muitas vezes e, pelas minhas contas, desde dos 2 anos até agora já foram 11 mudanças. Não quero pensar em números, se é alto ou baixo, se existe mesmo necessidade disso, mas a verdade é que ficar num sitio apenas, durante muito tempo, dá-me comichão, sinto que estou a perceber oportunidades noutros sitios. Sinto que não tenho apenas um sitio meu mas sim vários. E quando aquele sitio já não me traz mai alegria, quero partir. Estou no mesmo sitio há 4 anos e começou a nascer a vontade de partir novamente.

 

No meio de tanta mudança, sempre tive um estilo de vida minimalista. Há coisas que me dou ao luxo de não abdicar mas tudo o resto não me faz falta. Todo o conceito do armário cápsula fez sentido para mim, por isso mesmo e toda a minha vida de minimalista combina com a minha alma nómada. 

 

Tenho pouca coisa minha: odeio ver a casa cheia, adoro espaço e luz. Tenho um problema sério com livros (estou a tratar, juro!) cadernos e material de desenho, que acumulo desenfreadamente, porque é onde enterro os meus sonhos e desanuviu a mente.

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Estou na fase de deixar as coisas irem, seja material ou pessoas ou lugares e abraçar todas as minhas crenças. Acredito na natureza, e por isso, toda a minha caminhada, para além de contribuir para que me sinta bem na minha pele, tento contribuir para que não faça tanto lixo, tanta poluição e que não coloque em mim, químicos e outras coisas.

Ao longo dos anos as minhas mudanças foram:

- troquei os tampões por copo menstrual (há 8 anos)

- troquei a garrafa de água de plástico por uma de inox (há 4 anos)

- troquei o champô por um sólido e feito de produtos naturais, o gel de banho por sabonetes que ainda tinha por casa, o desodorizante por um sem quimicos (há 3 anos)

- A minha escova de dentes ainda é daquelas de plástico mas como as cerdas costumam durar muito tempo, de 4 em 4 meses costumo ferver a escova para a desinfetar tal como faço com o copo menstrual (tenho a mesma escova de dentes há 2 anos)

- Eliminei a pasta de dentes: simplesmente passo um fio de algodão que serve como fio dental e escovo os dentes. Bochecho com água e umas gotas de limão e pronto (este ano e tem funcionado bem)

- Vou às compras com sacos de pano (há 6 anos);

- Compro o máximo de coisas a granel ou que não venham com embalagem de plástico e obtenho algumas coisas que sei que são tratadas de maneira correta: os limões vem de um limoeiro do avô, a vizinha tem uma pequena horta e animais e fornece-me os ovos e alguns legumes. E aderi à fruta feia (há 3 anos)

- Cortei em coisas com açucar - refrigerantes e bolachas de supermercado (há 2 anos a reduzir)

- Troquei os detergentes de roupa/limpeza por produtos naturais;

- Troquei coisas descartáveis por coisas que se reutilizamos e duráveis: guardanapos de pano, discos de limpeza de pano (há 4 anos)

- Troquei o creme de corpo por gel de aloé vera (apenas o ano passado é que acabaram os produtos que tinha)

- Raramente uso maquilhagem (desde sempre) e não uso verniz nas unhas (raramente usava mas aboli há 1 ano);

- Tornei-me pescetariana;

 

No meio deste ambiente que quero para mim e da alma inquieta, estou a tentar mudar isso. Porque quero estar sempre com algumas pessoas e porque sei que posso fazer de qualquer lugar a minha casa mas quero fazer tantas coisas que ainda não fiz e não sei se este é o sitio para as fazer.

Luto contra a minha própria maré.

 

Já tiveram sentimentos destes?

Qual o vosso caminho e que mudanças já fizeram?

 

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