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Daily Echo

a minimal boost. Breaking habits!

Qui | 27.09.18

Amor de bolso

Monica

Culpo-te por quase tudo o que acontece e não consigo superar. Porque costas de avô são largas. Culpo-te por uma data de amarguras que ficaram congeladas no tempo mas que deram frutos a outros acontecimentos. Culpo-te por não me contares quem te partiu o coração, quem te fez isolar do mundo. Culpo-te porque não me disseste quem estava no teu bolso e volta e meia te fazia regressar, deixando muitos dias de pleno verão em dias cinzentos e adormecidos. 

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Preparaste-me para tudo: para me defender, olhar para o meu orgulho e chamar-lhe de meu. Preparaste-me para lutar por esse orgulho e disseste-me que as pessoas não mudavam.
 
Eu mudei, avô.
 
E essa mudança, dói.
Não me ensinaste que a curiosidade nunca traz nada de bom. Não me ensinaste que quando se põe alguém no bolso, que não devemos olhar de volta. Que devemos guardá-lo e mantê-lo ali. Como um botão que chega sem função e vai para o fundo da gaveta. Deixá-lo estar, sabemos que está ali. Mas não. Não me ensinaste que podia vir a ter um amor de bolso. Não me preparaste para amar e deixar ir, em vez de continuar a pertencer ali. 
Amá-lo e pô-lo no bolso foi das coisas mais difíceis, a seguir a perder-te. Olhar para o bolso é tão doloroso como lembrar-me de ti. 
As pessoas, afinal, mudam. As coisas mudam. O bolso não fecha. E tu não voltas.