Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Daily Echo

a minimal boost. Breaking habits!

Qua | 26.12.18

2018: crimes contra a minha humanidade

Monica

Novo ano, nova vida, o normal, portanto. 

Escrevo-vos de Lagos, minha terra natal. Terra que me viu nascer e que teve o melhor marinheiro. Terra esta a que Lisboa lhe ganhou com mais tempo da minha vida. O ódio pelo caos, pela grande cidade e o da decisão que tomei há 5 anos atrás de adiar o meu retorno estava a pesar demasiado para o meu corpo. Sim, Lisboa, foi a minha terra das oportunidades, mas a das perdas também. Perdi coisas mais importante ao chegar a ela que se não tivesse vindo. 

2018, foi para mim um ano dificil. O pior ano que tenho memória. Mesmo quando o meu velho marinheiro partiu, as coisas foram amenizadas com todas as memórias boas que tive dele e com ele. Mas este ano, acordei e vi-me no mesmo sítio, quis partir e não conseguia. Queria gritar e não tinha forças, não tinha voz. Dava todos os conselhos do mundo com base no que acreditava e não conseguia dar um passo e aplicar a mim. 

Foi o ano mais corrido. Foi o mais desafiador. Em termos de trabalho, em termos de perceber o que queria, para onde ia a seguir. Fiz amigos novos, visitei novos sitios, fiz coisas novas e coisas mais consistentes que passaram de novas a rotina. Percebi que podia estar em qualquer lado e não aproveitar nada, porque não estava em paz comigo.

Vi o ano a meio e a ficar sem tempo para fazer tudo o que queria. Vi-me perdida entre tarefas à qual não consegui definir quais eram de prioridade máxima e quais deveria desacelerar e desisti de outras que adorava. Vi família a adoecer e eu, longe. Sobrecarreguei-me. E em vez de me ajudarem deram-me mais meio mundo para cima. E no meio de tanto peso, perdi o meu.

Aprendi que toda a nossa saúde começa com o que comemos, procurei ajuda e comecei a conhecer-me e a ajustar a minha alimentação. Relembrei onde são os meus limites, antes de não conseguir sair do poço. Pus pés à parede, retaliei e subi. 
Aprendi a separar emoções para conseguir lidar com todas no tempo devido, quando acontecem furacões, tsunamis, terramotos e fogos, tudo ao mesmo tempo.

Aprendi que as coisas que me faziam mal, fazem pior do que imaginava. E resolvi parar e dizer "CHEGA!".

Chega de dar opiniões quando não as sigo. Chega de colocar coisas na prateleira se depois passo o dia ao lado delas, a chorar, com medo, com saudade. 

Este foi o ano em que fui abaixo depois de achar que já tinha recuperado há muito tempo, farta deste ano, e com medo de terminar ainda pior, resolvi por em prática todas as coisas que tinha na lista para fazer (estavam no plano de 2 anos). 

Voltei à minha terra, enxaguei lágrimas, tirei aquela pessoa da prateleira e voltei a pô-la onde pertence. Expus-me de tal maneira que decidi que se as coisas não dessem certo, ia ficar com esse amor nas mãos, sozinha, mas sem nunca mais o largar. Abri o meu coração e juntei peças de puzzles e as coisas alinharam. 

Pensei muito no passado e desejei ter um vira-tempo, mas aí percebi que todas as decisões que tomei faziam sentido para mim, na altura. Decidi ouvir o meu corpo e o meu coração e fui sem medo de perder. E não perdi. Porque como o meu marinheiro dizia "quando já não tens nada, nada tens a perder". Agarrei-me às palavras dele e às memórias dele e fui. E percebi que havia mais para além do que eu queria. Havia um motivo, uma razão e tudo o resto não estava a dar certo porque não era certo. 

Recuperei a minha terra, o meu mar, o meu lugar que me deu o meu velho marinheiro, recuperei aqueles a quem chamo de família, cuidei deles e consegui olhar-me ao espelho de novo.

Escrevo-vos de Lagos, minha terra natal. A terra que me promete ajudar a cumprir os meus projetos, a terra das minhas oportunidades. A terra que me devolveu a minha humanidade.

Ano novo? Sim. Vida nova? Não me parece. Acho que estava a viver uma vida que não era minha. 

E a perguntem que sempre me fazem é: Qual era o conselho que davas e que não seguias?

Ninguém te pode dizer o que é certo ou errado. Ninguém sabe o que sentes e muitas vezes, nem nós sabemos. As coisas são muito simples, na verdade, e se forem as certas, toda a nossa vida alinha. Se queres, traça um plano e alcança. O prioritário é ser feliz.

2 comentários

Comentar post