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Daily Echo

Breaking habits

18
Out17

Fogos, vidas e pipocas

Monica Nobre

É provável que o meu pensamento não vá de encontro a outras opiniões. Mas isso é que distingue as pessoas. 

Na sequência destes eventos catastróficos, não posso deixar de estar revoltada... com o estado: que tem o poder de controlar e prevenir de forma mais eficaz (pode não haver um método 100% eficaz mas sem uma experiência de tentativas nunca saberemos). Prevenção. Falam-nos sempre de prevenção e não existe.

Com o MDN e o MAI que nos fazem contratos de 6 anos (aos militares) formam-nos, incluindo para situações como estas que temos vivido e depois descartam-nos como fósforos queimados (desculpem o meu humor!). E nós, militares na disponibilidade, que temos capacidades, formação e estamos qualificados para tal, termos de ficar no sofá a ver as pessoas a morrer e o país a arder. 

Estou revoltada com as pessoas que elas próprias não fazem prevenção (existe culpa no comodismo e no pensamento português "isto nunca me vai acontecer"), não exigem formação, e em vez de manifestações poderíam fazer ensinamentos de SBV (suporte básico de vida), combate a incêndios, como agir em caso de acidente (qualquer tipo de acidente), mas não o fazem. 

Sendo militar nesta situação, só sinto vergonha. Vergonha de sermos descartados das nossas missões e das nossas qualificações. Eu fui por amor à camisola e trataram a minha camisola como um emprego que não há renovação de contrato. 

O militar é uma coisa que existe em mim. Faz parte de mim. E não deixarem exercer deixa-me tão revoltada como uma criança presa a uma cadeira a quem não deixam brincar. Ou pior. Não consigo descrever.

Neste momento, estou apenas a louvar os hospitais por acolherem os feridos, as pessoas que se ajudaram mutuamente e as iniciativas de plantar árvores. Espero que depois desta batalha as pessoas percebam que estamos todos a trabalhar para o mesmo: viver.

Deixo aqui o relatório de análise e apuramento dos factos relativos aos incêndios que ocorreram em Pedrogão Grande e outras áreas, entre 17 e 24 de junho. Sei que é imenso mas se lerem o sumário executivo já compreendem o que se trata. Concordo a 100% com isto.