Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Daily Echo

Breaking habits

15
Out17

Eu acredito

Monica Nobre

Vou dar uma de Martin Luther King. Be aware.

 

I have a dream.

 

Eu acredito que conseguimos mudar o mundo. Mudar para que seja mais sustentável, mais limpo, mais justo e que as pessoas se juntem umas pelas outras sem racismos ou julgamentos. Acredito que conseguimos mudar, mas também acredito que as pessoas não queiram mudar. 

Já conheci histórias de pessoas que estavam em situações que bastava um passo em frente e a coragem de dizer "basta!" e nada fizeram. Sabiam que a vida estava má, que não era aquilo que queriam mas não mudaram. Porquê? Medo da mudança? Medo de represálias? Medo do desconhecido? Não sei bem.

Eu nem sempre fui corajosa. Quando era mais pequena tinha medo da dor. Tinha medo de dizer coisas que não fosse o que as pessoas queriam ouvir. Tinha medo que me agredissem. Tinha medo do escuro quando estava sozinha. O que mudou?

 

Na verdade não sei bem. Mas sei que superei o medo da dor, durante a recruta. Descobri que se respirar fundo e me concentrar na dor que ela não é tão intensa. Descobri que o meu corpo aguenta mais do que algum limite que já o levei. Descobri que posso mudar drasticamente a minha vida e não ir para pior. Descobri que gosto de conclusões e de provas fundamentadas, não acredito só porque toda a gente acredita, não sigo porque é moda.

 

Não acredito em metade das pessoas mas ainda acredito nelas. Confuso?

 

Acho que chegamos a um certo ponto da vida e ativamos o nosso "achómetro". 

"Acho que devia ter feito isto." 

"Acho que devia ter dito algo."

"Acho que devia ter ido (ou ficado)."

Mas nem sempre tomamos as decisões baseadas em algo palpável ou tangível. Mas devemos conhecermo-nos melhor que ninguém e saber quais são os nossos limites, medos, receios e saber que podemos ultrapassar isso e encontrar maneiras para o fazer.

 

Sei que o psicológico tem um poder enorme sobre nós e muitas vezes influenciado pelo social. Mas quem muda isso ou simplesmente não se deixa levar, o que faz essa mudança?

Sei que é um assunto sensivel, cada um é como é, mas por vezes não consigo entender certas reações.

 

Vida saudável alimentar

Toda a gente tem a noção das suas escolhas alimentares. Nem que seja a olhar para análises clinicas ou simplesmente a olhar para o prato do lado. A mudança é complicada e se for extrema, pode até causar problemas. Mas se não estivermos bem, porque não mudar?

O que faz as pessoas dizer "eu devia comer mais verduras" ou "eu sei que devia beber mais água" e não ajustam para mudar? Pelo meu entendimento (que pode estar certo ou errado) é a comodidade. "Sempre comprei isto e fiz estas comidas e nem sei onde nem como posso comprar outro tipo de comida nem como fazê-la." ou "Nem estou para me chatear, para a semana vejo isso."

 

 

Vida saudável psicológica

Tenho pessoas chegadas que sofrem de algo que não chega a ser depressão (ou talvez chega a ser algum tipo)  mas também não é comodidade. Elas ficam tristes e levam uma vida super sedentária e isolada e se alguém intervém dizem apenas "tens razão, devia começar a fazer isso". O que ainda não percebi é quão fundo uma pessoa tem de ir para perceber que a vida que levam tem de mudar para elas próprias se sentirem bem. 

Qual é o limite para entenderem? Um internamento? Um susto? Um puxão de alguém que não quer ouvir "não" e obriga a pessoa a fazer coisas diferentes até perceber que tinham razão? Ou simplesmente não se importam com o estilo depressivo que vivem, é a maneira delas?

 

Vida saudável social

Dou por mim a dizer ao patrão (o meu namorado) que não quero ver tv ou estar na internet e quero sair, andar de patins ou fazer uma caminhada num trilho ou almoçar na praia. E não quero registar isso. Quero aproveitar, desligar o wifi, silenciar o smartphone, por vezes até desligá-lo por completo e aproveitar. Respirar fundo, conversar, rir e olhar as pessoas que estejam em volta. 

E olho as pessoas e vejo selfies, publicações, smartphones, boomerangs...e nada de socializarem naturalmente, sem messenger nem chats.

Eu nasci numa época que não havia computadores. Os trabalhos faziam-se à mão, escritos ou para avisar que ia brincar com a amiga tinha de ir a casa. Tive o meu primeiro telemóvel aos 14. E porque a minha madrasta insistia que tinha de estar comunicável. Lembro-me de nunca usar aquilo. Quando nessa altura toda a gente começava a ter computador, eu fazia trabalhos na biblioteca porque era caro comprar um e não achava que servisse para muito. Nunca tive um pc de secretária, com aquele monitor gigante e torre debaixo da secretária. Comprei o meu primeiro portátil, tinha 19 anos, com o meu dinheiro. Hoje sou mais digital que tradicional, maioritariamente porque trabalho nisso mas dei por mim a reduzir o numero de redes sociais que tenho no smartphone.

Estamos a perder o verdadeiro valor da comunicação.

Então Mónica, tens smartphone? Andas ai a pregar aos peixes para nada. Ainda por cima estás aqui a escrever na internet (dizem vocês) Pois é... posso dizer que faço a maior parte das coisas online. Tenho redes sociais como toda a gente. Mas tenho redes que só uso no trabalho, onde consulto as minhas coisas e as dos projetos que estou. E tenho a completa noção que se ficasse sem smartphone 1 dia que ia sentir falta. Mas estou a tentar ser menos dependente quanto a coisas banais como isso.

 

Decidi escrever este post com base no propósito em que este blog foi construido: breaking habits. Mudar hábitos, reconhecer e mudar o que não está bem. 

Estou a passar pela minha própria mudança. Seja em que campo for. Tenho completa noção de quem sou e do que sou capaz. Tenho noção de quando exagero e preciso de pedir desculpa, de quando um assunto não me interessa e mostro o meu descontentamento, porque acho que devemo-nos conhecer bem e ser sinceros. Acredito num mundo em que todas as pessoas se aceitam como são e aceitam os outros. Acredito num dia em que não nos apetece ouvir ninguém e dizemos isso sem ter "medo" de magoar a pessoa. Que dizemos o que nos vai na alma e mesmo que não concordem, haja uma conversa civica e honesta sobre isso. Quando alguém age mal que tenham a coragem de dizer "não gostei do que fizeste porque..." e que haja compreensão dos dois lados.

Estou à espera de um mundo em que duas amigas tem este diálogo:

- Estou com outra pessoa.

- Ok.

- Não me vais dar na cabeça porque ainda agora sai de uma relação, e em 2 meses, já moro com outro?

- Estás feliz?

- Sim.

- Ok. É o que interessa. Aproveita isso.

- E se não funcionar desta vez também?

- Enquanto estiveres bem, funciona. Quando não funcionar, diz e vamos comer um gelado.

 

Imagino um mundo assim. 

 

(Já tive esta conversa. Sim, eu sou a pessoa que se está a barimbar para a vida dos outros.)