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Daily Echo

Breaking habits

14
Set17

Destralhar a rotina

Monica Nobre

Nem toda a mudança tem a ver com algo que está errado. Basta que haja algo a melhorar, que nos faça sentir melhores ou que achamos que devíamos fazer.
Eu sempre vivi conforme o que tinha e que me fazia sentir bem. Ainda hoje é esse o meu lema. Mas há coisas que precisei de mudar, depois de algumas etapas, as rotinas.

Sendo militar, sempre tive horas para tudo desde do primeiro dia. Para levantar, vestir, comer, fazer exercício, deitar. E foi a melhor fase da minha vida mas a minha rotina mudou, mais que uma vez e tentei adaptar ao que tinha.

Enquanto estava no ativo, nunca achei necessidade de me impor a mim própria. Tinha horas para cumprir e o meu tempo livre, que era curto, tinha de ser maximizado. Então quando voltei a terras civis, tudo desabou. Não tinha horas certas para comer, tanto ficava acordada até muito tarde como estava tão cansada e dormia cedo, e comecei a entrar num sitio que não quero mais voltar: a desrotina da preguiça. Vamos chamar-lhe assim.

Eu sou das melhores pessoas para a preguiça se instalar: ela em mim vive feliz e alegre. Esta é a história, não de como mudei mas como me inovo, combato e melhoro, de como me obrigo a fazer as coisas, a criar hábitos e a mudar os que já cá estão. Acompanham-me?

Vamos começar por criar tempo. Parece impossível? Sim, claro. Mas uma das minhas frases preferidas é: “Veni, Vidi, Vici”, de Julio César. Eu vi, vim e venci. E é assim que se constroem impérios.

Como é que se cria tempo? Então o dia não tem apenas 24horas? Pois tem mas pode ser otimizado para parecer a ter mais. Umas das questões mais importantes é a organização.

Eu sou desorganizada. Bastante e até demais. Não em termos de bagunça mas em termos do que vou fazer e do que tenho para fazer. Levo tempo para arrancar e custa-me a parar para fazer outras coisas e essa sempre foi uma caracteristica que sabia que tinha mas aprendi a lidar com isso.

Como? Estrutura.

Tal como construir uma casa temos de pensar na estrutura, o que sustenta. Qual a melhor coisa para estruturar o que vamos fazer? Todos as noites eu penso no que tenho para fazer no dia seguinte e existem 2 caminhos:

- Se fores digital como eu usas uma aplicação ou até mesmo o computador como eu faço;
- Se fores tradicional, usas um caderno e caneta.
- Se tiveres uma super-hiper-memória, decoras.

Agora que temos os ingredientes, vamos à receita:

- Pensar e anotar o que tem de fazer no dia seguinte, incluindo refeições;
- Dar horas às tarefas – ajuda a visualizar o que realmente pode ser feito nesse dia e a tentar cumprir horários.

Dessa maneira, também não vão escapar as refeições;

- Ter sempre a lista à mão e fazer ajustamentos;

Claro que vale fazer ajustamentos. Nem sempre nos levantamos à hora que pusemos o despertador a tocar e fazer ajustamentos ajuda na interação com a lista. Quanto mais percebemos que ela está ali para ajudar mais fácil vai ser.

(sim, falei em despertador e sim, fins de semana também conta!)

Para mim sempre foi muito dificil manter algo como uma agenda. Bem, sou quase Mestre e nem um caderno consigo manter.

Mas…não tenhas medo…existem várias maneiras e cada pessoa ajusta ao que dá mais jeito.

Eu criei o hábito do computador. Na verdade foi uma necessidade que criei pois sou de Marketing Digital mas adoro a parte tradicional. Os cadernos, o copinho com os lápis, canetas, post-its – a típica secretária – até porque adoro desenhar a lápis. Mas com a faculdade e o trabalho decidi usar as ferramentas digitais. Eu uso o Evernote pois dá para ter tanto no smartphone como no computador sincronizados (uso na versão gratuita) e não preciso de andar a atualizar a agendazinha ou de me preocupar de onde ela está, pois é o meu smartphone e anda sempre comigo. Para além do ícon do elefante, o que gosto mesmo é o facto de poder criar notebooks e anexar as notas por temas, posso também anexar documentos, fotos, fazer notas em imagem ou audio. Como este também existem outros e sente-te à vontade para experimentares e adaptares-te. Houve uma altura que criava “folhas de word” com listas e tudo o que precisava mas para aceder no smartphone era mais complicado.

evernote

Ainda uso o tradicional também, mas por uma questão de espaço e de ambiente, decidi ter o minimo de coisas em papel. Então digitalizo documentos e tenho uma Cloud de onde acedo de qualquer lado.

Este foi apenas o primeiro passo.

Eu posso ter a maior bagunça possivel mas se vir a minha secretária desarrumada já não me apetece estudar. Se fores como eu, vais querer tê-la sempre arrumá-la. Só tens de perceber o que te provoca a dita preguicite e criar pequenos hábitos para combatê-los. Seja do que for. Por isso, mantenho as coisas que me dão “mais preguiça” longe. Pequenas coisas que façam a diferença na hora de realmente fazer as coisas como:

- Quando apanho a roupa da corda, arrumo-a logo, pois odeio arrumar as peças miudas.
- Quando faço uma refeição, lavo logo a loiça.
- Se li metade do livro, passaram 2 dias e não consigo acabar, ponho um marcador e arrumo.
- Como sou ruim para beber água, tenho sempre uma garrafa nos locais onde passo mais tempo: trabalho, uma garrafa na mochila que levo para as aulas, uma garrafa na secretária em casa e um copo sempre na sala.

Com estes pequenos ajustes existem coisas que já não perco tanto tempo. Faço na hora e quando volto para descansar já está feito.

Tenho a certeza que esta jornada não é só minha. O facto de estar aqui a comprometer-me a mostrar-te o que fiz e estou a fazer para mudar, e se estás aqui para me acompanhares, seja ou não para receberes ajuda também, para mim, é o que basta.
Dizem que para criarmos um hábito novo leva 3 semanas. É o tempo que temos de estar sempre a contrariar o que habitualmente fazemos. Por isso, vamos a isso.