Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Daily Echo

Breaking habits

14
Set17

Comer é a melhor solução

Monica Nobre

Somos animais de hábitos e mudar de repente não é opção. Então fazer um plano parece um bom ponto para começar.
Ter hábitos alimentares, uma alimentação equilibrada ou outras coisas que me ajudassem no meu dia a dia não era prioridade para mim. Até um dia percebi que algumas coisas, não estava a fazer certo e decidi mudar mas comer continua a ser o melhor remédio.

toast.png

 

Enquanto estava na vida militar, a minha alimentação não era das melhores. Andava sempre em viagens, não tinha horas certas para nada e a minha alimentação resumia-se ao que conseguisse comer naquela altura. O meu corpo não tinha um ritual, não criava necessidades, recebia o que havia. Quando esse mundo acabou para mim e comecei a preparar refeições em casa, com mais tempo, decidi melhorar.

Cortei nos fritos (nunca fui muito fã de batata frita, por exemplo), cortei nas bebidas gaseificadas e açucaradas e noutras coisas. Como, maioritariamente, peixe e carnes brancas. Ínclui mais frutas e legumes às minhas refeições. Como mais vezes arroz, saladas e massas. Tomo sempre o pequeno almoço (yey) e tento como sou imensamente ruim para beber água, obrigo-me e tenho lembretes para beber água.

Uma nota sobre mim: quando estou a fazer as coisas, quero despachar e fazer logo. Fazer de uma vez. E não penso sequer em comer. Como se começar a fazer a limpeza da casa logo de manhã, se estiver sozinha, quando dou por mim, já são 15horas e ainda não almocei.
Mas fico satisfeita porque fiz o que queria fazer e ainda tenho tempo para outras coisas. Mas não me alimentei. E eu sou uma daquelas pessoas que se passa muitas horas sem comer, acaba por se habituar. E foi essa uma das razões que decidi impor mais controlo no meu tempo, otimizá-lo e ao mesmo tempo mudar a maneira como me alimento e como me organizo.

Não tenho uma alimentação especifica, até porque existem coisas que era incapaz de deixar de comer mas ajustei a minha alimentação por achar que necessitava mais, e que hoje faz-me sentir melhor com isso.
Outra das razões que me fez repensar na alimentação foi porque quando tinha muita coisa para fazer, não prioritava nada. E chegava ao final do dia a pensar que devia ter feito mais disto do que daquilo. E isso causava-me mais stress do que simplesmente fazer as coisas às pressas. Outra das razões é que sou magra.

Qual é o problema?

Oiço isso imensas vezes. “tens sorte”, “quem me dera”… O problema é que sempre fui magrinha, sempre tive o peso abaixo do meu IMC normal. Não posso dar sangue nem ser dadora de medula como gostaria. Sempre que ia a uma consulta perguntavam-me se tinha algum disturbio alimentar e quando era mais pequena pensavam que não me dava comida suficiente. A verdade é que as minhas análises sempre vieram normais, não tenho nenhum disturbio, mas o que as pessoas dizem afeta-nos sempre (outra coisa que vamos falar por aqui).
Já tive complexos por não engordar e já alterei a minha alimentação nesse sentido. Depois de alguns anos a ultrapassar isso, decidi parar. Alimento-me como o meu corpo precisa e conforme aquilo que quero comer. E após alguma análise mais profunda descobri que tenho o metabolismo super rápido. Se comer um prato “enfarta brutos” dali a 1 hora estou pronta pra comer um pacote de bolachas.
Eu absorvo tudo à velocidade da luz e queimo tudo à velocidade da luz. Por isso, uma rotina é o indicado para mim pois ajuda o meu corpo a não sentir fome, a não pedir e a adquirir o que realmente faz falta.
Acontece que cada pessoa é como é. Não acredito em dietas malucas. Acredito sim, que para uma pessoa atingir o peso, ou ajustar/resolver outro problema que a alimentação ajude, que tem de ajustar a alimentação e não fazer nada drástico.

Sempre fui pessoa de fazer desporto. Então, como perco mais peso se andar nervosa, tenho o metabolismo rápido e sinto a necessidade de não estar parada (seja em desporto ou em tarefas), decidi incluir alimentos que posso tirar energia e a comer mais vezes ao dia.

Como parte da minha organização, decidi procurar e guardar receitas rápidas e nutritivas que faço e quando vou às compras, levo sempre uma lista: ajuda-me a comprar apenas o que preciso sem andar à toa no meio dos corredores.
Outra coisa que já mencionei aqui: sou destrambolhada e preguiçosa! E há semanas que vou às compras e não ideia o que vou por na lista porque não me apetece nada. Então eu descobri uma coisa: Fruta Feia.

A fruta feia é uma cooperativa de consumo que tem como objetivo principal combater tanto o desperdício alimentar como o gasto desnecessário dos recursos utilizados na sua produção (água, energia e terrenos agrícolas).

Como isso me ajuda? Esperei alguns meses por uma vaga na Fruta feia. Já lá vou fez 1ano em maio. O que acontece é que por €3,50 trago 4Kg de fruta e legumes. Posso ver previamente na minha área de cliente o que irá ser distríbuido na semana seguinte e posso cancelar as semanas.
Quando vou ver o que vem na minha cesta, ajusto as minhas refeições ao que vem. Por exemplo: se vier cenouras, couve, tomate, alface, morangos e peras – Faço couve salteada, acabo por fazer saladas e com a fruta faço batidos. Também costumo fazer sumos com as frutas e as cenouras. Mas para além de estar a poupar, também ajudo para o desperdício alimentar e facilita-me imenso em planear uma lista de legumes e frutas.

Claro que é só um exemplo. O objetivo é perceber como o nosso corpo se comporta e ajustar os nossos comportamentos para que não falte nada. Mas se existe algo que me ajuda, eu vou atrás.
Eu demorei algum tempo a perceber que caminho queria seguir. Acho que encontrei o meu. Não há problemas em ajustares coisas diferentes à tua vida, desde que faça sentido para ti. Cada pessoa é diferente. Isso também é um pensamento que demora a ajustar. Somos constantemente relembrados que temos que nos ajustar ao mundo, às tendências e a alguma personalidade quando, na verdade, somos todos diferentes e só temos de nos ajustar ao nosso próprio corpo. Tendo isso confortável, todas as outras pequenas coisas que temos para mudar, torna-se tão mais fácil.