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Daily Echo

Breaking habits

14
Set17

A vida funciona

Monica Nobre

A vida anda às voltas e nem sempre sabemos o que queremos seja em termos de trabalho, de vida ou até do que queremos para jantar. É mais fácil haver alguém por perto a dizer "segue aquele caminho" mas claro, que nem sempre é possível. Até porque não é assim que a vida funciona.

Eu tenho o hábito de fazer uma playlist de várias músicas e ouvir até à exaustão. Mas a minha exaustão é infinita. Não sei exatamente quanto tempo dura, mas a playlist que tenho no iPod já está lá há 3 anos. Ponho a lista a tocar seguida, por artistas, em shuffle mas são a minha playlist do momento.
Então e o momento dura 3 anos? Pode durar. Há hábitos que não mudam.

Já me apercebi que faço a lista conforme o que estou a passar no momento. Ou em algo que ando a passar. Ou simplesmente porque a melodia soa-me bem e um dia, simplesmente, deixa de soar, ou o momento encerrou. Isto tudo porque dei por mim a ouvir uma série de música com que me identifico e uma em especial que, brutalmente e maravilhosamente, caracteriza a minha infância. Deixo por aqui a música, caso estejam interessados ouvir.

Basicamente, ao ouvir estas músicas que mexem e levam-nos a sítios que já estivemos, dei por mim a pensar onde já estive. Poderia ficar aqui a contar-vos a minha história mas não havia espaço nem eu tenho tempo. Podem ir às minhas estórias e ver passagens, mas o que interessa é que percebi que, a maior parte das coisas que idealizei, concretizei. São nestes momentos que realmente nos apercebemos que a vida funciona.

 

O que já fui?

 

Já fui muita coisa. Já trabalho desde dos 16 anos mas as melhores coisas e quis e fui atrás. Porque percebi que a vida funciona.

Já fui atleta de alta competição. Competi em decatlos e especializei-me em barreiras, ainda era escalão júnior. Eu queria, inscrevi-me, fui às provas e consegui. Devido a problemas familiares e a uma lesão no joelho, acabei por deixar de lado.

Fui militar (na verdade ainda sou). Acabei por alcançar isso. Um bichinho que vivia em mim desde pequena, que se tornou realidade. Quando nos apercebemos que realizamos as coisas é mais do que o nosso coração aguenta. Eu oiço um toque de caixa ou a música da marcha de cerimónia e ainda me arrepio. Eu vejo a cerimónia do dia de Portugal na televisão e queria lá estar ainda. Porque é um sentimento maior que nós próprios. Andei perdida durante um tempo e agora segui o meu caminho numa área que também adoro: o marketing digital. Porque a vida funciona.

Nós temos o hábito de procurar aprovação. E dou por mim a pensar: mas porquê? Eu queria estar ali e fui. Eu quis ser mais e conseguir chegar onde muitos estão e fui e, o mais importante, consegui.

Gostava de saber o que prende as pessoas a não fazer certas coisas. Coisas que lhes ponham um sorriso na cara e um pulmão cheio e digam: "isto é mais do que estava à espera."

Hoje vejo que a maior parte dos obstáculos são criados por nós. Quebrem os hábitos, pensem e planeiem como quiserem: a pequeno, médio ou longo prazo. Mas façam. Não há nada que não possamos fazer.

 

A minha motivação

Posso dizer-vos que não sei o que me move. Não sou religiosa. Não tive uma infância tipica nem uma relação "normal" com os meus pais. Fui criada com o meu avô. E não sei onde vou buscar as minhas forças. Não acredito num Deus, seja ele qual for.

Depois de passar pela vida e pelo treino militar, percebi que ainda não sei onde é o meu limite. Havia coisas no treino que pensava que não aguentava mais e daí surgia-me o pensamento que outros conseguiram. E aguentei mais um pouco e cheguei ao fim. E foi um alivio não ter desistido. Acho que é essa sensação que muitos não tem. E gostava de tentar passar isso. Gostava que soubessem que a vida vale a pena, que ela realmente funciona mas que temos que estar sempre a lutar. É cansativo? Um dia deixa de ser, porque torna-se um hábito.

 

A vida funciona

Estás onde gostarias de estar? Porquê?

Gostaste do resultado de quando desististe? Porquê?

Gostaste do resultado quando alcançaste? Porquê?

 

A minha religião

 

Como já mencionei em alguns momentos, não sou católica. Quando nasci os meus pais não me batizaram. A desculpa que davam era que queriam que eu escolhesse a minha religião e eu gostava dessa opção mas nunca foi verdade. A vida funciona de maneira diferente para eles e de maneira a que nunca passasse pela minha. Mas fui batizada ao 9 anos, meses antes de fazer a primeira comunhão. Devo dizer que nunca me satisfez o facto de estar ou não nunca igreja ou fazer parte disso. Nunca acreditei simplesmente.

Eu acredito que as pessoas podem fazer o bem. E que onde vivem, como vivem e o como moldam o mundo à volta delas é o que as influência a fazer o bem ou o mal. A questão é que cada um tem uma definição de bem ou mal diferente uma das outras.

Eu acredito que devemos sempre ajudar os outros. Facilitar a vida, dar-lhes um sorriso e esperança. Mas também sigo a minha filosofia de que ninguém tem nada a ver com as minhas decisões e com a minha vida. Sempre soube usar a minha independência e sempre teve um significado muito importante para mim. Mais que fé. Acredito que a opção de escolha é o que nos une. E que cada um deve fazer o que quer conforme o que acredita.

Há por aí alguma religião assim? Se há, sou disso.

Torno a falar de hábitos. Já é uma palavra tão comum para mim. Mas eu habituei-me à vida e gosto cada vez mais dela. Mas ela anda como eu quero, até não a controlar mais. Mas até lá, é minha.